quinta-feira, 25 de março de 2010

SMALLTOWN BOY: dança e bulling

O bailarino é vítima de bulling.
Quando um garoto decide iniciar os estudos em dança, é uma decisão difícil que se torna parte de sua vida.
Hoje em dia, essa decisão não é tomada mais como tão difícil quanto era há alguns anos, com filmes abordando o assunto (como o famoso "Billy Elliot", que até virou musical da Broadway) e a mídia e as novelas brasileiras tocando em assuntos que são polêmicos e que ainda são tabus para a sociedade, como o homossexualismo. Ainda assim, algumas profissões são vistas ainda como gêneros ou relacionadas à carreiras que estão intrinsicamente ligadas às opções sexuais de alguns profissionais.
Homens que exercem profisões de cabeleireiros, bailarinos, figurinistas, decoradores, designers, entre tantos outros, são quase sempre vistos como gays, de forma preconceituosa. Diga-se de passagem que são profissões que requerem sensibilidade e senso estético apurado - coisas que um homossexual assumido certamente não tem vergonha nenhuma de ter - nem qualquer pessoa deveria. Entretanto, pensar que um hétero não possua essas habilidades nem é assunto que cabe ser discutido.
O acesso à informação e ao conhecimento atualmente é algo fácil e a batalha contra preconceitos arraigados na sociedade brasileira é uma luta diária movida há anos por associações e por cidadãos engajados e com a ajuda da própria mídia.
Mesmo assim, ainda existe preconceito. E, dentro do próprio meio gay, inclusive. Um garoto dançando, no Brasil, ainda é coisa rara. Ainda hoje, na maioria das vezes, só a partir da adolescência é que o jovem do sexo masculino, com ou sem apoio da família, inicia seus estudos em dança. E com muito custo: luta contra o preconceito dentro de casa, na escola, com as amizades. Dançar é romper barreiras. É ainda um muro a ser derrubado. É, muitas vezes, ser apontado e ridicularizado. Ser vítima de bulling é uma experiência marcante para um indivíduo. Para a vida toda.
A mídia também ajuda e reforça o preconceito. Nos seus programas "humorísticos" muitas vezes, colocam o homem que dança como sendo ridículo e risível.












FOTO: extraída do website Globo.com.


Na notícia: "espectador vestido de bailarino dança no palco do hipismo olímpico: homem imita cavalgadas no local de prova em Hong Kong".








FOTO: extraída do website Globo.com.
Notícia do programa "Zorra Total": '" Kleber é surpreendido pela mãe em aula de balé neste sábado, 21. Personagem de Hassum leva susto com Améia (Simone Gutierrez).

http://redeglobo.globo.com/Tv_globo/Noticias/0,,MUL1385274-16162,00-ZORRA+TOTAL+KLEBER+E+SURPREENDIDO+PELA+MAE+EM+AULA+DE+BALE+NESTE+SABADO.html

Iniciei meus estudos em dança na escola de ensino médio. Tive aulas de balé clássico e jazz. Dancei no grupo de dança da escola. Nessa época, fui vítima de bulling. Mesmo assim, com minha insistência, incentivei outros colegas a dançarem e cheguei a ser professor de dança da mesma escola. Mas foi uma época difícil, em plena adolescência, de escolhas. Muito choro. Smalltown boy: decidi sair de casa, depois de juntar algum dinheiro para estudar dança no Rio de Janeiro, movido pela vontade de dançar e para fugir também da pressão.

É difícil se afastar dos familiares. É difícil alçar vôo e buscar o novo. É difícil enfrentar o mundo ter a sensação de que é imenso e ver que somos tão pequenos. É difícil enfrentar o diferente.

As lágrimas não param de brotar por muito tempo. E, quando não escorrem pelo rosto, escorrem por dentro da alma, marcando para sempre. Ficamos fortes, mas a duras penas.

E resta o lamento e o desejo de querer que as próximas gerações não precisem sofrer o que sofremos.



You leave in the morning with everything you own in a little black case

Alone in a platform the wind and the rain in a sad and lonely face

Mother will never understand why you had to leave

For the answers you seek will never be founded at home

The love that you seek will never be founded at home

Run away, turn away

Run away, turn away

Pushed around and kicked around always a lonely boy

You were the one that they’d talk about around town as they put you down

And as hard as they would try they’d hurt to make you cry

But you’d never cry to them just to your soul

No, you’d never cry to them just to your soul

Run away, turn away

Run away, turn away…

Cry boy, cry boy, cry…


“Smalltown Boy” música de
Bronski Beat (James Somerville, Laurence Steinbackek, Steven Bronski)