terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Homossexualismo e Biopolítica: "O jogo da imitação"

Em 7 de junho de 1954, Alan Turing - matemático, criptoanalista e cientista da computação britânico, suicida-se. Turing foi acusado de crime de prática homossexual, condenado à terapia hormonal obrigatória pelo tribunal inglês para ser curado da homossexualidade. Como efeito do "tratamento", Turing, inventor da "máquina de Turing" - precursora dos computadores, suicida-se.
Turing auxiliou o governo britânico a vencer a 2a Guerra Mundial pela sua invenção que decodificava mensagens criptografadas dos nazistas.
Entretanto, o governo entendeu que Turing era "doente" - e o sentenciou a um tratamento obrigatório que o levou à morte.
Na atualidade, temos no nosso país e no mundo políticos e dirigentes que acreditam no homossexualismo como perversão e/ou doença a ser "tratada" - e ainda um Eduardo Cunha que quer implementar um "Dia do Orgulho Hétero" - como se  heterossexuais sofressem ou já tivessem sofrido historicamente algum tipo de enfrentamento social.
Hoje, no metrô, escuto "pacificamente" e basicamente coagido, uma multidão de heterossexuais felizes cantando com muito afinco "Olha a cabeleira do Zezé...Corta o cabelo dele!", a caminho do bloco carnavalesco. Sinto vontade de chorar.
E a angústia se torna maior ao terminar de assistir "O jogo da imitação" - filme brilhante sobre a história de Alan Turing que, lamentavelmente, só obteve perdão da Rainha da Inglaterra (aquela vaca que nunca sequer lavou um prato na vida e que deveria pedir perdão ao mundo pelos saques, chacinas e escravidão que vitimou povos e nações) no ano de 2013(!!!)...
...E me sinto mais triste pq ainda há os que acreditam que homossexualismo é "opção", safadeza ou algo perverso - e que, sendo assim, eu sou um ser humano "diferente" e que preciso lutar ainda para ter meus direitos como cidadão, indivíduo e sujeito respeitados: para que eu não precise ter o mesmo destino de Turing - além da morte social e política, como querem os dirigentes que buscam me cercear dos meus direitos.
Sinto-me angustiado.